Caraterização de uma Sessão DAME

Doadoras que Amam em Excesso

Diferentes papéis são desempenhados para promover a transformação terapêutica.

Os Participantes incluem: a Terapeuta, a Protagonista, as Representantes, o Público e o Palco/Campo, cada um contribuindo de forma única para o processo terapêutico.

Terapeuta: assume as funções de Aderecista, Cenógrafa, Coreógrafa, Contrarregra, Diretora de Palco, Encenadora, Figurinista e Produtora, garantindo a eficácia terapêutica e organizacional de todo o processo.

A Protagonista: É a autora da cena terapêutica. Propõe a cena e, consoante a sua descrição, a consteladora monta o cenário. Começa aqui o processo de trabalho terapeutico. onde a cena que propôs é encenada, cenografada, coreografa e reescrita. A Protagonista ganha uma perspectiva mais ampla e objetiva da sua própria situação e dos restantes envonvidos na cena. Eventualmente, é convidada a participar ativamente na cena e experimentar novas possibilidades de resolução e tomada de decisão na direção da solução escolhida.

Representantes: desempenham papéis designados na cena terapêutica, absorvendo os sentimentos e emoções dos personagens representados, reagindo a eles. A sua neutralidade e ausência de envolvimento pessoal (Epoché) tornam-os recursos valiosos para a terapia.

Público: testemunham a cena terapêutica e amplificam a sua ressonância emocional. As espectadoras também são afetadas pelo processo terapêutico, experimentando transformações pessoais similares às da Protagonista.

Palco/Campo: assim que é pisado, todas sabem que estão a "viver a vida" da outra mulher, a calçar os sapatos de outra mulher (literal ou simbólicamente. De facto, pode ser pedido que os calcem realmente). De uma forma tão misteriosa quanto desconcertante, o palco torna-se um campo com vida, com uma força sentida quase de imediato pelas representantes. Elas frequentemente relatam que se sentiram tomadas pelo seu papel, isto é, assumem os comportamentos, movimentos, sentimentos e emoções de quem estão a representar.

Este modelo de intervenção dinâmico, activo, interactivo é uma abordagem poderosa, única, que envolve múltiplos participantes e papéis para alcançar a transformação terapêutica de todas as envolvidas, incluindo aqueles que foram representados nas cenas, mesmo que nem sequer têm conhecimento de que o foram: o efeito de ressonância terapêutica é provocado pela mudança na postura e olhar amplo ganho pelos intervenientes nas sessões. Somos seres sistémicos, de ação-reação, assim, quando ganhamos uma nova perspectiva sobre o outro e sobre determinada situção, assumimos uma nova postura; o outro sente isso de imediato e também ele passa a agir e reagir de acordo com esta nova abordagem.

Resumindo, a interação entre Terapeuta, Protagonista, Representantes, Público e Palco/Campo, cria um ambiente rico em insights, catarses, novas possibilidades e soluções, proporcionando uma transformação interna profunda e com igual impacto em todos os envolvidos direta e indiretamente em cada sessão.

As Fases de uma sessão do DAME

São 3 fases: Acolhimento, Representação e Retorno

Acolhimento: Na fase inicial da sessão, denominada "Acolhimento", as novas participantes do grupo são recebidas com informações básicas e com a oportunidade de esclarecerem dúvidas. Isso é seguido por uma conversa conjunta, que faz a ponte com as sessões anteriores, promovendo um ambiente caloroso de escuta ativa e compartilhamento de experiências.

O objetivo é desfazer as tensões e desenvolver um sentimento de pertencimento e confiança no grupo, preparando o terreno para o surgimento espontâneo das protagonistas e representantes, o ponto culminante da intervenção terapêutica. Esta fase preliminar pode incluir atividades de relaxamento, como exercícios sistémicos ou meditações.

A Terapeuta está atenta aos sinais verbais e não verbais das participantes para identificar temas de interesse comum e avaliar a autenticidade das suas contribuições. Assim identificada a Protagonista, inicia-se o processo de clarificação da cena para a sua composição.

A tensão da Protagonista e do Público podem aumentar e, nesse caso, há que prosseguir neste caminho. Se, porém, o relato não é autêntico, se há algo oculto (de forma consciente ou inconsciente) os representantes e o público sentem-no de imediato e a Terapeuta reorganiza toda a cena de modo a desvendar a verdade, as dinâmicas ocultas, a raíz que de facto sustenta verdadeiramente a problemática trazida pela Protagonista. Agora a cena sem viés está montada e pode ser observada e devidamente trabalhada.

No nosso modus operandi, respeitamos as defesas de cada um, e ninguém é obrigado a expôr-se sem querer, como tal, antes desta reorganização, a Terapeuta pergunta sempre à Protagonista, ao longo de todo o processo, se ela deseja prosseguir.

Representação: Após um acolhimento bem-sucedido, a ação iminente torna-se evidente tanto na postura da Protagonista quanto na do Público.

A Terapeuta convida a Protagonista ao palco, onde ela reconstitui visualmente o contexto da sua vivência, para a melhor composição da cena. A transição da descrição verbal para a representação visual é marcada pelo uso de elementos físicos no palco para recriar o mais fielmente possível o ambiente e facilitar o seu enquadramento espacio-temporal ou até cultural, socioeconómico, ou mais que se revelar necessário. Por vezes basta uma música chave, outras vezes a complexidade é enorme.

Durante a representação, a Terapeuta pode intervir novamente para novos inputs, (utilizando diferentes técnicas, fazendo mudanças no cenário, nos adereços, trocando representantes, acrescentando outras, causando um efeito surpresa, afim de facilitar movimento e ensaiar novas possibilidades e o vivenciar das suas consequências, vantagens e desvantagens, para atingir um climax terapêutico ou para uma tomada de decisão, por exemplo).

Todos os detalhes são capturados intuitivamente pelo Público, enquanto o corpo e o movimento assume uma importância primordial sobre as palavras.

A representação desenvolve-se espontaneamente até deixar de existir movimento e/ou o climax terapêutico ter sido atingido.

A Terapeuta sinaliza o término.

Todas as presentes na sessão fazem um ritual simbólico: uma vénia em direção ao Palco, esse campo de força que mostrou algo importante para todos e os conduziu durante toda a representação.

Simboliza:

- O retorno aos seus próprios papéis;

- O agradecimento à Protagonista pela confiança depositada nelas;

- O agradecimento pela oportunidade de também eles serem alvo de intervenção terapêutica profunda, em uníssono com a Protagonista, sem a mesma exposição;

- A reverência a todos os representados que, muitas vezes, já faleceram ou estão em grande sofrimento.

Também a Protagonista reverencia o campo, e todos os presentes, pelo apoio prestado, sobretudo aos representados na cena trabalhada - membros do seu sistema familiar.

O cenário é desfeito, o Palco fica vazio, e todas voltam aos seus lugares.

Segue-se o Retorno.

Retorno: Os comentários que agora têm espaço para acontecer são sempre relativos à experiência que acabaram de ter, ao impacto que isso teve nelas próprios ou acrescentar informações sobre algum, sntimento, emoção, constrangimento que tiveram enquanto estavam a representar determinada pessoa e que não tiveram oportunidade de expressar ou passou despercebido a todas.

É um retorno valioso para a Protagonista, mas também pode ser importante para todas as outras. Muitas apercebem-se das inexplicáveis semelhanças, sincronicidades, afinidades, empatia e alianças, com quem representaram ou com outros elementos em Palco, sejam eles objectos, pessoas, músicas, ambiente, cheiros, ... ou com membros dos seus próprios sistemas familiares, profissionais, organizacionais, sociais,...

Via de regra, a conclusão a que se chega é que o impacto foi igual em todas, a cada climax terapêutico sentido pela Protagonista. É uma catarse que é ampliada pelo grupo e que é devolvida ao grupo de uma forma ainda mais poderosa. É comum que algumas das intervenientes tenham a necessidade de se abraçarem umas às outras, de se emocionarem em conjunto, de se tocarem, de se olharem mais em pormenor, como se se estivessem a reconhecer, a reverenciar, a agradecer.

Assim, normalmente, pela intensidade das vivências, surge de imediato a necessidade de fazer uma pausa, entre o término de uma cena e o propôr de uma outra. Pode ser mais ou menos breve, é o grupo que o determina. É um momento onde se pode comer, beber, andar um pouco, reflectir em silêncio, sozinha ou acompanhada, ir ao WC ou simplesmente respirar fundo e absorver este novo ar que conquistámos juntas!

Estamos todas de parabéns, sentimos isso dos pés à cabeça, dentro e fora de nós!

Um abraço forte, Rita & Mulheres DAME! 💕 


Informações e condições:

Frequência: O DAME reúne semanalmente:

- Aos Domingos, às 14h, na Clínica de Reabilitação de Cintra

(Rua Câmara Pestana, n.º 31 A e B, Sintra; em frente ao Centro Cultural Olga Cadaval).

- Às Sextas-feiras, às 14h, no Sukha Veda Center

(Comunidade Hindu de Portugal: Alameda Mahatma Gandhi, Lisboa)

Valor mensal: 150€

Inclui: Sessões presenciais, todas as Sextas (Lisboa) ou todos os Domingos (Sintra) do mês, às 14h.

Nenhuma sessão é obrigatória, podes ir a todas as sessões (das Sextas/dos Domingos) ou apenas a uma. O valor de 150€ por mês é fixo.

Precisamos tanto de ti quanto tu precisas de nós, vem!

Um abraço forte, Rita & Mulheres DAME💕 

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